Exposição Multimídia SOS-SÓS, de Cacau Brasil
Pessoas com necessidades especiais, sejam suas limitações físicas ou cognitivas, sofrem não só o preconceito evidente e intencional como também um preconceito ‘branco’, por omissão ou ignorância. Por vezes desconsiderados por não serem o 'público-alvo' de uma iniciativa ou por questões financeiras – pois é relativamente caro produzir/adaptar obras para tocarem diversos sentidos ao mesmo tempo –, os cidadãos que carregam o estima da deficiência são deixados de lado também na hora de ‘consumir’ arte.
Uma oportunidade para não ser excluído é visitar, a partir da próxima sexta (16), a exposição SOS-SÓS, do cantor, compositor, poeta e artista visual Cacau Brasil e patrocinada pelo Banco do Nordeste. Inspirada em sua experiência com a exposição OMISTÉRIOOTEMPOEMPOESIAS, que seguiu do Museu da Língua Portuguesa (em São Paulo) diretamente para a Estação da Luz, logo ao lado, desta vez ele aceitou o desafio de conceber as obras com a acessibilidade já inserida desde seu início. “Em OMISTÉRIOOTEMPOEMPOESIAS, nós adaptamos as obras para que tivessem uma percepção mais ampla, o que já é uma iniciativa muito positiva, mas SOS-SÓS já nasceu multimídia e multisensorial, é um novo momento de meu trabalho”.
Perguntado sobre o motivo do nome da exposição ser SOS-SÓS, ele diz que os universos de que tratam as obras permeiam o estado alarmado em que vivemos esta solidão coletiva, onde não conhecemos quem cumprimentamos todos os dias ou nos surpreendemos com quem vive conosco. “Esta vivência contraditória e a tensão que nos impele à frente, em busca seja do amor ou da realização (por exemplo), são o objeto desta exposição”, explica o multiartista.
Segundo Cacau, a acessibilidade não é o ‘mote’ da exposição, mas sim uma característica a mais dela. “Detesto o termo ‘inclusão’, apesar de ser uma das mais nobres causas. Não pelo seu resultado ou pelo sentimento solidário que a move, mas por que para mim é incrível, e até ridículo, termos pessoas ‘excluídas’ – em minha opinião ninguém deveria ter sido excluído, para começo de conversa”.
Quando questionado se o perfil multimídia, ou multisensorial, proporciona realmente que pessoas com deficiências (visual ou auditiva, por exemplo) experimentem a exposição com a mesma intensidade que pessoas com todos os seus sentidos funcionando plenamente, Cacau foi enfático em dizer não é possível programar a recepção de cada obra. “Pessoas com os mesmos sentidos, mesmo que sejam todos funcionando com perfeição, experimentam cada segundo de uma maneira diferente... É impossível prever como diferentes combinações de sentidos irão receber aquela informação e que sentimentos isso provocaria – é aí que está a beleza!”
Cacau, que prefere agora manter apenas o primeiro nome, acaba de promover, por meio do Centro de Pesquisa e Difusão da Arte - Imaginário, uma Oficina de Sensibilização com 41 pessoas dos mais diversos segmentos sociais (contemplando o máximo de raças, idades preferências sexuais e condições de acessibilidade), que integra o mesmo projeto da exposição SOS-SÓS. “A turma que participou da oficina, na qual contei com a parceria da coreógrafa Érika Daiane e da teatróloga Flávia Muluc como oficineiras, revelará ainda muitos talentos, e o trabalho deles vai ter uma interação com a exposição”, provoca. “Além da Oficina, que gerou momentos de incrível interação cooperativa entre os participantes, grupo que também incluía crianças, fizemos uma belíssima intervenção no Centro de Fortaleza – momento que será elemento importante da exposição”, conclui.
De acordo com a diretora de Produção do Centro de Pesquisa e Difusão da Arte - Imaginário, Ritelza Cabral, “é sempre um prazer produzir um trabalho sem fronteiras, que de fato se preocupa com o acesso de todos os públicos, sem quaisquer limitações”. Co-idealizadora do projeto, ela já desenvolve e aplica projetos sociais vinculados à arte há mais de 15 anos. “Nós torcemos para que a poesia deste trabalho traga luz intensa, capaz de provocar corações, movendo almas para atitudes mais conscientes na sociedade, contribuindo, assim, para um mundo bem melhor e mais justo”, conclui.
A exposição SOS-SÓS e a Oficina de Sensibilização são realizações do Centro de Pesquisa e Difusão da Arte - Imaginário em parceria com o Instituto Ideias do Brasil. A ação conta com: patrocínio do Banco do Nordeste; apoio cultural da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social, Governo do Estado do Ceará, SOBEF, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Instituto de Arte e Cultura do Ceará, Faculdade de Setembro, Acal, Fábrica Fortaleza, Esmaltec, Aço Cearense e Acesso Comunicação. A produção é assinada por WM Difusão Cultural e Ato Produções.

